19 de abril de 2009
IX Maratona de Santa Catarina - Florianópolis/ SC - Brasil
Chegada a hora, tudo certo para a estreia em Maratona, os tão temidos 42.195 metros.
Na quinta-feira antes da corrida, mais precisamente dia 16, acordei sem garganta, todo travado. E o pior, meu
bebezão também estava com o nariz ruim, tossindo bastante, basicamente o 1º resfriado em 1 ano e 1 mês, ou seja, EU estava dominado pela
TPM.
TPM, como aprendi durante os
treinamentos para a maratona, é a TENSÃO PRÉ-MARATONA. e eu acabava de ser apresentado a ela. Tudo que não podia acontecer, estava acontecendo.
Maravilha!
Mesmo assim, na quinta feira fiz um treino de rodagem para tentar
SUAR a gripe que estava por chegar, tomei um monte de aspirina e comecei a torcer para estar melhor no fim de semana.
Na sexta, estava tudo ruim ainda, e pra piorar um frio horrível chegou em
Sampa, não tinha mais jeito, agora era esperar a noite chegar e ir encontrar o pessoal da equipe pra embarcar no
busão rumo a
Floripa. Fui muito agasalhado e na viagem, o ar condicionado do
busão tava pegando forte, suei as 12 horas de viagem e cheguei encharcado lá. O bom é que estava calor, o clima no
busão de total
descontração ajudou bastante também. Chegamos
direto no local da retirada do
Kit, na largada da corrida e saímos todos do
busão, deu pra
desenlatar, esticar um pouco as pernas e apreciar a paisagem fantástica da Ilha da Magia.
Playbus na largada!
Fomos para o hotel, nos alojamos e saí com meu irmão para dar uma volta, almoçar. Para nossa surpresa, a cidade parecia cidade fantasma, não tinha nada aberto. Rodamos bastante e quando estávamos para voltar encontramos um
boteco que tinha refeição e era muito legal, a comida muito boa e a cerveja muito gelada.
Voltamos ao hotel, aquele
bodinho básico e eis que alguém lembra do jantar de massas que estava incluso para os maratonistas que assim optaram no ato da inscrição. Saímos em umas 20 pessoas(todos muito perdidos) a procura de uma forma de chegar no local do jantar, só tínhamos o endereço e a cidade continuava fantasma, muito mais fantasma a noite.
Depois de muita discussão, conseguimos um
ônibus de linha que passava na rua de trás do local, e com informação de todos que víamos no caminho chegamos.
COM CERTEZA, essa foi a melhor parte da Maratona, o lugar era um clube, o
salão era grande, a comida farta, com várias opções e as nossas mesas muito animadas. Pura diversão!!!
foto: Jaci Ventura
Depois de muita risada e uma boa refeição, retornamos ao hotel e tentativa de dormir, fiquei assistindo TV até as 02:00 e depois dormi. Acordamos as 05:30 para tomar o café da manhã e preparar a saída, pois a largada feminina era mais cedo, às 07:30.
Equipe Playteam marcando presença em FLORIPA
Chegou a hora da verdade, e lá vamos nós para os 42.195!
Chegamos no local da largada, fizemos um aquecimento, um alongamento e fomos pra largada.
Já no 1º km ouvíamos dos outros corredores que a
kilometragem estava errada, quem estava com
GPS falava que tinha passado bem mais que 1 km, então as placas já não eram mais confiáveis, continuamos a corrida junto com o pessoal que ia fazer só os 10km da rústica(outro erro da
DES organização).
Durante o percurso, o sol foi aparecendo cada vez mais forte, e a água
desaparecendo também cada vez mais, ficamos sem avistar sequer um posto de agua do km 13 até o 22, e quando a água apareceu estava quente e com cheiro e gosto ruim, serviu para refrescar do calor que já estava pegando bem forte. Até o km 21 fui acompanhando meu irmão e um outro
Playteam, quando nesse momento continuei mantendo um ritmo de 5 minutos o km e eles começaram a se distanciar, até então tudo dentro do previsto. Continuei nessa pegada e comecei a ultrapassar vários corredores, muitos passando mal devido ao calor e a péssima organização que
não dispunha de água e muito menos
isotônico, GELO? Eles nem imaginam o que deve ser isso.
no km 32
Ao avistar o km 32, vi o pessoal da equipe
Playteam, eles tinham uma coca-cola gelada que tentei tomar, foi quando comecei a sentir uma fisgada na coxa direita, eu comentei com eles que
tava ficando complicado, então os anjos da guarda vieram junto para dar uma força, uma água sem cheiro. Apareceram
Clebão,
Sergin e
Reginaldo.
Clebão tinha uma bala de goma horrorosa que tenho certeza SALVOU minha corrida,
Sergin trouxe
garrafinhas de água e incentivo e o
Reginaldo, bom o
Reginaldo teve muita paciência e me acompanhou nos últimos
Kms, conversando, incentivando, carregando água, me animando e o mais importante, me fazendo esquecer o que eu estava vendo. A falta de respeito que imperou na organização dessa Maratona, a partir do km 35 o que eu vi foi um festival de corredores passando mal, caindo, se
arrastando, vomitando aquela água nojenta que era o único líquido disponível.
Foram os 8 km mais lentos que já corri/andei/sofri com
cãibras e fisgadas na perna direita. Pensei seriamente em desistir, parar junto aos que vi caindo e que não tinham sequer um socorro, mas com a companhia do
Reginaldo consegui seguir até o final e quase terminar dentro do prazo máximo que eu imaginava para a estreia que era de 04:00.
Quando cheguei na placa de 42km e já visualizava a chegada, minha perna simplesmente travou, deu uma
cãibra da ponta do
dedinho até a virilha que me deixou paralisado por uns 2 minutos, o Ricardo, presa da
Play estava chegando para dar aquele apoio final e só teve tempo de tentar esticar minha perna, o que era impossível naquele momento. Consegui colocar o pé no chão, me arrumei e fui pra chegada comemorando muito ao lado do meu 'anjo'
Reginaldo.
Misão CUMPRIDA !!! 04:02:16 no deserto de Floripa!!!!
Não foi como eu imaginava ou tinha planejado, nada próximo ao que meus treinos me prepararam, mas considerando a FALTA DE ESTRUTURA, de APOIO e a TOTAL FALTA DE RESPEITO para com os atletas, só a conclusão desse meu objetivo traçado e planejado por 6 meses valeu DEMAIS!!!

Chegada! Só alegria!!!